segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Índia e Nepal: contraste de estilos, roupas e visuais

Oi, gente! Nesse momento estou em alguma cidade egípcia, bem longe de qualquer computador, mas deixei esse post programado e quero apresentar a vocês meu segundo convidado do blog, o amigo Daniel de Figueiredo. Esse cara viajou para vários lugares exóticos que sonho conhecer um dia: Turquia, Marrocos, Zâmbia, Botswana, África do Sul etc. Foi o Daniel que me passou muitas dicas valiosas sobre o Egito, país que conheceu em sua primeira viagem internacional. Hoje ele vai nos apresentar o relato ilustrado (com fotografias próprias) de sua mais recente viagem à Índia e Nepal.

bonfaconvida[9]
Olá para todos! Meu nome é Daniel e posso dizer que é um prazer enorme para mim ser convidado a compartilhar minhas idéias e visão do mundo nesse blog tão charmoso e de um bom gosto impressionante. Espero poder enriquecer mais ainda esse espaço e ajudar a ampliar sua diversidade de tópicos e informações. Antes de mais nada, vale ressaltar, que eu e Katia nos conhecemos na Tunísia, em 2007. Um jeito nada típico de fazer novos amigos, mas nessa busca de fazer e viver coisas diferentes, acabamos criando uma amizade carioca em território africano. Nada mais exótico...

Vamos para a minha história de hoje.

Certa vez me disseram que qualquer pessoa pode ser brasileira, que o Brasil é a verdadeira terra da oportunidade, a terra livre, a América dos sonhos. De certa forma, existe uma boa parte de verdade nisso tudo, pois aqui, povos e culturas convivem numa "harmonia" única. Os problemas que passamos não tem relação com os conflitos do Oriente Médio, com divergências entre povos, ideologias religiosas ou políticas. Nosso problema é social, estrutural, corrupção, violência. Aqui vemos todo tipo de gente vivendo lado a lado, trabalhando numa mesma empresa, compartilhando uma vida social.

Além disso, temos a enorme diversidade do povo brasileiro, de norte a sul, do sudeste ao centro-oeste, cada região tem tipos físicos e hábitos diferentes, podemos e até dizemos que dentro do Brasil existem vários países, dizemos ainda que é normal ver passaporte brasileiro com foto de um típico japonês, de um negro, um índio, um árabe, um europeu. E tudo isso nos leva a crer que em termos de diversidade racial, cultural e filosófica, nós somos mestres dentro desse planeta.

Foi aí que eu embarquei para uma viagem de 20 dias para Índia e Nepal e descobri que toda essa bagagem diversificada assimilada por ser brasileiro não vale de absolutamente nada quando sua cultura se choca com um lugar tão diferente como o famoso "Hindustão" (mais precisamente o Norte da Índia e o Nepal).

São mais de 20 línguas que podem ser consideradas oficiais, uma geografia que varia do ponto mais alto do mundo (Monte Everest na cordilheira do Himalaia), passando por vales verdes e úmidos ao extremo, metrópoles poluidíssimas, selvas, rio sujos, planícies secas e desertos. Sem contar as religiões principais: Hinduísmo, Budismo, Jainismo, Sikhismo, Islamismo e outras. Junte tudo isso em cidades abarrotadas de gente e teremos uma diversidade de formas e cores que confundem e encantam a cabeça de qualquer pobre ocidental. Por isso optei por não mostrar uma foto de tópico e sim, um mosaico, um aglomerado de fotos pertinentes ao assunto, para que o leitor possa ter a ideia e ver lado a lado tudo o que eu vi e voltei para contar.

Foto - Confusão

O Sari ou também chamado Saree, talvez seja uma das poucas coisas verdadeiras que vimos na recente novela "Caminho das Índias". Esta é a vestimenta número 1 das mulheres indianas, costumo pensar que um sari é como uma impressão digital. Dificilmente você consegue ver uma mulher vestida como outra, digamos que seja praticamente impossível numa área bem grande, talvez vc veja em outra cidade mais distante. A combinação de cores e a diversidade inacreditável de formas com cores dos lenços e tecidos indianos torna praticamente cada mulher única, e muitas usam o rosto coberto, seja por religião ou para se proteger do calor, do cheio ruim, ou das moscas. Se alguém me perguntar com o que exatamente combina um sari, eu digo sem pensar duas vezes, depois de ver a pobreza da Índia e o quanto centavos para nós pode ser muito para eles, o sari de uma mulher combina exatamente com a quantidade máxima de dinheiro que ela pode gastar para não ficar igual a outra mulher que viva próxima à ela. Afinal, pobreza é uma coisa e vaidade é outra completamente diferente, tanto aqui, quanto lá, uma mulher detesta ver outra vestida da mesma forma. Mas, a epopéia e a luta feminina nesta região pode ser melhor contada em outro artigo.

Foto - Mulheres
Cada religião marca e influencia de forma única o jeito de se vestir. Claro, o "extinto" sistema de castas, como eles preferem dizer após a independência, interfere muito no visual e no jeito de se portar de um indiano. Os Sikhs sempre a margem dos hindus (hindus são cerca de 80% da população) estão sempre trajados de turbante em forma de concha e bigode, não é raro ver um indivíduo desses, mas são poucos. Até mesmo encontramos muitos monges budistas, mas o show de diversidade fica mesmo a cargo dos hindus.

E, claro, o que nos salta aos olhos são os homens dedicados à sua religião, sacerdotes e os famosos homens santos.

Os sacerdotes estão sempre com um visual bem exótico, pintados, e em Varanasi principalmente, é possível ter diante de si toda essa variedade. Ver um sacerdote hindu em ação é um espetáculo visual de primeira. Mas Varanasi merece uma atenção maior em outra oportunidade, o que posso dizer é que o lugar transpira fé e devoção e tudo isso no colorido do povo. Contranstando com sua cor ocre de antigos palácios e escadarias com o nascer do sol e toda a sujeira considerada sagrada ao redor.

São por esses lugares sagrados que encontramos os chamados homens santos, estes, que vivem de doação e oração. Não cortam os cabelos, não praticam muito a higiene em geral, mas por 1 ou 2 dólares você pode tirar boas fotos deles e com eles. O dinheiro tanto na Índia como no Nepal tem uma importância vital, e só ele te dá a capacidade de se aproximar tanto do sagrado e intocável quanto do miserável.

Foto - Tipos religiosos
Em grandes centros, como Delhi e Mumbai, é normal ver pessoas trajadas como nós, usando ternos, sapatos, gravatas, vestidos, jeans, mas no interior e nas famílias mais tradicionais, vemos um verdadeiro baile à fantasia.

Andando pela Índia e Nepal você pode se deparar com lugares que te remetem aos anos 70. Carros que não vemos há décadas por aqui circulam por toda parte, bicicletas e os homens no melhor estilo “cafajeste brega” rumo aos embalos de sábado à noite. São camisas e calças sociais das cores mais antiquadas e combinações mais inusitadas possíveis. Vemos agasalhos que estão fora da moda desde que meus pais namoravam ainda. E, claro, o detalhe sempre comum, as roupas em sua esmagadora maioria sempre encardidas, sujas, poídas, mal lavadas (se é que já foram lavadas). A sensação é que o sujeito comprou aquela camisa em meados dos anos 70 e a usa até hoje, lavando talvez, uma vez ao ano. Se somarmos a isso, as barbas por fazer, unhas grandes, a falta de um perfume e um bom desodorante, não resta muita dúvida da peridiocidade da limpeza pessoal de cada um.

Foto - Trajes masculinos
Basicamente podemos dizer que os indianos tem a pele mais escura, olhos vistosos e são magros e relativamente baixos, mas com uma força incrível. Em comparação, os nepaleses são uma mistura de indianos com chineses. Imaginem um indiano amarelado, bem clarinho, ou um chinês com traços mais fortes e cor mais escura, olhos bem vivos. É uma combinação que, se não chega a ser bonita, pelo menos chama a atenção. As mulheres usam o sari, mas também adotam roupas mais ocidentais e muitas usam uma sombrinha para se proteger do Sol forte.

Foto - Mulheres do Nepal
Por fim, temos as crianças, que vão desde as muito sujinhas, magrinhas e pobres até a deusa viva, chamada Kumari, que vive no Nepal (canto inferior esquerdo da foto abaixo). Um dia eu conto como se define que uma menininha é a tal deusa viva. Vemos crianças por todas as partes, trabalhando, carregando água, na roça, indo para a escola em roupas típicas ou com camisas sociais e gravatas, encontramos meninos que usam brincos e meninas que tem olhos pintados como se fossem fazer um show. E, como aqui, encontramos crianças jogando bola nas ruas, mas no lugar do nosso futebol num campo de terra ou grama ruim, vemos crianças jogando cricket, mais exótico impossível.

Foto - Crianças
Mas, o que mais chama a atenção em tudo isso, não é exatamente a excentricidade de certos tipos, a pobreza extrema ou roupas fora de um padrão ocidental. É exatamente você perceber como um povo se adapta a uma realidade completamente diferente da sua e é capaz de sorrir, de encontrar na fé forças para seguir até o fim. Você vê crianças sujas, no meio da maior pobreza e até indo para a escola em transportes abarrotados que não perdem a chance de te dar um aceno ou um sorriso. Você vê a pobreza margeada por paisagens deslumbrantes, pessoas tentando ganhar a vida vendendo o que podem, sendo condutores de elefantes, se passando por guias locais, sempre sob o olhar atento de seus muitos deuses. No fim, somos todos seres humanos, todos iguais, só vivemos realidades diferentes.

Foto - Visão Geral

Daniel, estou muito agradecida por ter aceitado meu convite e preparado esse texto tão rico em detalhes e imagens. Você sabe que estou esperando outras postagens suas no futuro, né? Seja sempre bem-vindo!!!!! 

Beijos para todos e até a volta!!!!

bonfa

10 comentários:

Babi Mello disse... [Responder comentário]
Este comentário foi removido pelo autor.
Babi Mello disse... [Responder comentário]

Katia, que esta em algum lugar do maravilhoso Egito, adorei o post do Daniel, e pelo que percebi a novela Caminho das Indias pintou uma India bem diferente da realidade e pelo que observei a pobreza, a sujeira impera por lá, mas mesmo assim seria interessante conhecer esse pais de tantos contrastes com o que estamos acostumados.
bj!

Kaira disse... [Responder comentário]

Parabéns pelo post!

Ozenilda Amorim disse... [Responder comentário]

Oi, coisa boa é conhecer culturas diferentes e tudo aqui é tão exótico, tão fora da nossa realidade ocidental-judaico-cristã, não é mesmo.
Vou ser sincera, acho que não gostaria de ir a um lugar assim, pois o choque de cultura é demais para mim, porém ler aqui as experiências desse viajante especial foi bem legal. Quem será o próximo convidado?
Boa semana de férias, embora eu saiba que você só vai ler isso quando voltar. rsrsrsrs
;)

Fernanda Furtado disse... [Responder comentário]

Olá Kátia e Daniel!
Gostei muito do post, é muito interessante ler o relato de alguém que esteve em outro país e nos conta com detalhes o que viveu. Amei!
Acredito que essa deve ter sido uma experiência e tanto para os olhos, mas em especial para o olfato.
E, para terminar, gostaria de fazer uma pergunta pro Daniel: é verdade que lá há muitos ratos, por todos os lugares, andando pra lá e pra cá, inclusive nos restaurantes?
Beijos!!!

Wagner disse... [Responder comentário]

É sempre interessante poder conhecer as experiências de outras pessoas e seus relatos de viagens. Ótima ideia oferecer um espaço no seu blog para "convidados viajantes", Bonfa. Acredito que vai enriquecer ainda mais o Casos & Coisas.
Beijo.

Rosi disse... [Responder comentário]

Bonfadini e Daniel

Vcs arrasaram no post de hoje. Uma delícia e uma delicadeza em compartilhar conosco essa experiência. Dá muita vontade de conhecer esses lugares depois dessa narrativa tão rica em detalhes e sensações.
Espero Bonfadini que vc traga sempre pessoas generosas para nos presentear com essas experiências.
Aos dois, muito obrigada!!!
Bjs

Bird learning to fly... disse... [Responder comentário]

OI Daniel,

Que post deliciosos! Adorei ver fotos da India, viajar contigo! Adorei seu relatorio e observaçoes a respeito desse povo tao rico!

Tenho varios amigos indianos que moram na Inglaterra, originais das regioes de Punjab, Gurjurat..Mas nunca fui pessoalmente.

Como a India era antiga colonia do Reino Unido, a cultura indiana é bem presente e até digo que seja parte integral do cotidiano ingles.

Existem varios bairros (e cidades mesmo) aonde prevalesce a cultura, costumes, culinaria e tradiçoes indianas. Existem até cinemas que passam so filmes indianos de Bollywood :) O que mais tem por la também é restaurant indiano! Por sinal adoooro comida indiana :)

Voce entrou em algum templo Sikh ou Hindu por la? Matéria para outro post, né? ;)

Adorei matar a saudade...Obrigada!

Katia,

Parabéns mais uma vez por ter escolhido outro convidado que nos fez viajar sem sair de casa!!!

Beijocas e espero que vc esteje curtido o seu time-off :)

Lidiane Vasconcelos disse... [Responder comentário]

Daniel, seu post está riquíssimo e muito, muito bem escrito.
Obrigada por compartilhar, viu?

Fiquei me questionando daqui se as mulheres indianas têm o mesmo aspecto de sujeira por baixo do brilho do sari ou da maquiagem. Pelas fotos parece que não...

Quantas diferenças culturais! O legal foi mesmo perceber em você o ar de espanto por tanta coisa que nós, ocidentais, não conhecemos e, depois, sua constatação de que tudo é questão de adaptação a realidade que se vive. Porque no fundo,no fundo, é isso mesmo, não?! :)

Kátia! Ótima ideia e de convidar o Daniel. Feliz ideia, diga-se de passagem...

Marta disse... [Responder comentário]

Adorei o post! Realmente é um grande contraste! É um país com muita diversidade, mas como disse o Daniel, com muita alegria apesar da grande pobreza que tem.
Parabéns pelo post!
Beijos

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