sexta-feira, 28 de outubro de 2011

De Recife, passando por Manaus e chegando a Grenoble, na França: a história da fonoaudióloga que virou doceira

Troco e-mails com a Liviany desde o início do ano e adorei saber um pouco mais sobre a história de vida dessa fonoaudióloga brasileira que foi parar em Grenoble, na França, onde descobriu uma paixão por doces que a fez embarcar em uma nova carreira, recém-saída do forno… vamos conhecê-la?

Liviany

Eu sou a Liviany Moura, fonoaudiologa por formação, e "doceira" por paixão. E isso não quer dizer que eu não ame a fonoaudiologia, mas ela não foi escolhida como profissão com a mesma paixão que os doces. E aliás, quando comecei a cursar fono na faculdade, nem sabia bem o que um fonoaudiólogo fazia. Já os doces..., essa paixão recente veio junto com o nascimento da minha filha, e tem menos de 2 anos de existência.

Todos os mêsversarios dela eram comemorados aqui em casa. E no começo, eu comprava muffins no supermercado e decorava com pasta de amêndoas (porque a pasta americana não é fácil de ser encontrada pelas bandas de cá). Daí a coisa foi melhorando... Comprei as formas e comecei a fazer tudo sozinha: os bolinhos, a pasta e a decoração. E cada festinha foi ficando melhor do que a outra. Foi quando surgiu a idéia do blog « Doce Sucré ». Nome que mistura o português com o francês, da mesma forma como é misturada a influência cultural na vida da minha pequena filhota (que é quem me inspira todos os dias, desde o começo) e até mesmo nas minhas receitas, onde procuro unir idéias francesas com o sabor que o brasileiro gosta de sentir.

E falando tanto em Brasil e França, vou contar um pouquinho da minha vinda pra cá. Vai que alguém mais quer se aventurar depois de ouvi-la ou até mesmo desiste, né?! Rs.

Saí de Recife, minha terra natal, pra morar em Manaus. Meu atual marido, que na época era namorado, recebeu uma proposta de trabalho lá, nessa terra tão querida. Dai, ele foi embora na frente e eu fiquei pra acabar a faculdade… depois casamos e fui também. Começamos uma vida a dois longe de tudo e de todos, e foi bom! Tenho muitas saudades do lugar, dos amigos, de tudo! Fizemos nossas pós-graduações lá, e um belo dia estávamos dentro do carro conversando bobagens e meu marido resolveu que queria aprender francês. Se matriculou num curso, e eu acabei me matriculando no inglês. Tinha vontade de aprender francês, mas achava mais importante aprender inglês, que ele já falava a língua fluentemente… e eu sofro até hoje porque não gosto da língua e isso acaba criando um bloqueio imenso. Enfim, nunca imaginei que de uma conversa boba eu viesse pra tão longe, que fosse falar francês, fazer mestrado e ainda levar de brinde o meu amor maior, uma gata, cursos de culinária e uma vontade imensa de montar meu próprio negócio.

Quando começou o curso, meu marido pensou em ir para o Canadá. Como trabalha com informática, seria fácil. Mas depois decidiu que queria estudar, e não trabalhar. Daí procurou a França, onde os estudos não são pagos mensalmente. Mandou a candidatura para duas universidades… e pra o meu «azar», foi aceito nas duas!

Eu resisti até onde pude. Estar em Manaus, longe da minha familia, já era demais. Sair de lá pra outro pais, ultrapassava os meus limites. Não aceitava a idéia de ficar sem trabalhar, e estudar, de ficar só e de não saber nada da língua. Estava mesmo desesperada com a isso. Masss… ele ja tinha dado entrada em todos os nossos papéis… E pra não me separar, por amá-lo tanto, resolvi vir e deixei parte da minha vida pra trás: família, amigos, consultório, trabalhos, propostas e sonhos... Vendemos tudo (carro, móveis, tudo!) e viemos embora começar nossa outra etapa da vida em comum.

Chegando na França foi tudo mágico… como tudo é no começo, né ?! Comecei um curso intensivo durante um mês. No mês seguinte, de tanto estudar em casa (aproveitando os dias frios de inverno pesado pra estudar), consegui subir muitos niveis do francês e passei pra um curso semi-intensivo à noite (metade do preço). Daí a novidade começou a esfriar e comecei a ficar cansada dos dias vazios e das noites de frio numa praça pra conseguir usar internet pública na rua, com o intuito de ligar pra minha familia pra amenizar um pouquinho da saudade (que dói muito, e só sabe quem sente!).

Não sabia o que fazer da vida. Como fono trabalha com linguagem, pra trabalhar na minha área eu precisava falar muiiiito bem. E pra trabalhar em outra área, não podia. O visto de acompanhante não me permitia trabalhar… e nós respeitamos isso porque tínhamos medo de perder todo o dinheiro que tinhamos investido.

Um belo dia, fui à padaria, e quando olhei pra um dos lados vi uma plaquinha que dizia «Orthophoniste». Isso mesmo, uma fonoaudióloga bem na minha rua! Vibrei muito porque vi a possibilidade de fazer pelo menos um estagio não remunerado ou de observação. Mandei uma cartinha com meu francês novinho em folha, explicando minha situação, o que eu queria e perguntando pra essa fono sobre possibilidades de mestrado aqui… Resultado: nada de estágio porque ela trabalhava com crianças e qualquer coisa distrairia, mas havia uma possibilidade de mestrado.

Ela me deu o contato de um professor de psicologia na faculdade que trabalhava com neurocognição, tudo o que eu queria! Na validação, disseram que tinha que fazer o último ano de psicologia pra poder entrar no mestrado. E eu fui! Fiz o primeiro ano aos trancos e barrancos. Tentando entender tudo, mas era muito dificil, pela língua e por estar no terceiro ano de um curso que não era o meu. Levei pau na estatística (na psicologia francesa, tudo é estatistica, gente! Coisa de louco!!!). Aqui em Grenoble, quando você reprova uma disciplina sequer, não precisa cursar as que conseguiu passar, mas se por acaso essa disciplina foi cursada no segundo semestre do ano, você só poderá refazê-la no segundo semestre do outro ano!). Foi o que aconteceu comigo. Tive que passar um semestre inteiro sem fazer nada, pra cursar estatistica no segundo. Não tive paciência e saí procurando outras coisas pra fazer. Achei um mestrado de Linguagem e Surdez, que terminei de acabar… com atrasos por causa da gravidez, mas enfim… Uma parte concluida!

O próximo passo agora é deixar a França. Em outubro estaremos de volta à minha terra natal, Recife. Esperando por dias melhores, muito melhores do que os que eu vivi por aqui. Não que a experiência não tenha seu lado positivo, claro que tem! Tem a língua, o contato com outras culturas, os amigos, a culinária e as minhas duas filhas (uma gata e minha filhota de verdade, que são as memórias mais importantes que levo comigo pra sempre!).

Acredito que muitas outras histórias mais felizes do que a minha existam por aqui. Especialmente as das pessoas que quiseram vir pra cá por livre e espontânea vontade. E quem tem o sonho de vir, desejo com todas as forças muita sorte e posso passar todas as informações que sei. As que não quiserem vir, sigam seus corações… porque a possibilidade de as coisas não sairem bem é muito grande. Satisfação profissional e pessoal são coisas muito importantes pra que possamos nos amar, e amar alguém consequentemente. Sem isso, tudo pode desandar… é preciso cuidado e muito amor!

Sera que ainda dá tempo de mostrar um pouquinho do meu trabalho? A Doce Sucré estará muito em breve atuando em Recife. Então, quem estiver ou passar por lá e quiser nos contactar, fique a vontade… será um prazer recebê-los! Forneceremos doces para casamentos e festas infantis de todos os gêneros: aniversários, batizados, chás de bebê e boas vindas etc. Pensou em festa, a gente vai voando até você ! =)

Voilà algumas fotos do que nos produzimos…

Cupcakes :

1

2

Macarons :

3

Cannelés de Bordeaux :

4

Cookies :

5

Bolos :

6

… E muito mais ! Querendo saber mais sobre nos, passa la no site: www.docesucre.com!

Aproveiando a passagem pelo Bonfa Convida, queria convidar vocês para participarem do sorteio de prêmios ja sorteados anteriormente lá no blog. Como as duas ganhadoras chegaram depois do prazo estipulado, deixaram de ganhar os prêmios abaixo :

7

Termômetro de panela, minuteira, gloss cupcake e pulseira com pingente de batata frita!

Pra concorrer basta ser seguidora do meu blog, curtir o Doce Sucré no Facebook e postar a abelhinha da doce sucre no seu blog, twitter ou FB falando da promo. O sorteio será realizado pelo Random.org no dia 5 de novembro !

Agora, quero te agradecer, Katia, pela oportunidade de participar do Bonfa Convida! Assim como por me servir de inspiração no dia a dia... Sim, porque não tem como não lembrar de você na hora de receber os amigos, de colocar uma mesa bonita ou de comprar louças e coisinhas fofas para a minha casa. Também lembro muito de você quando estou bolando uma festinha, quando penso nas etiquetas, e agora até na ilustração que fiz para o meu blog. Obrigada por tudo, mesmo pelas coisas que você nem se da conta que faz por mim! =)

Um beijo grande e parabéns pelo blog, pelas idéias e pela sua simpatia!

Liviany Moura

…………………………………………………………………………………………………..

Liviany, embora a gente tenha trocado muitos e-mails, foi através desse texto que conheci sua história de vida e achei seu relato bem interessante e sincero. Eu costumo dizer aos amigos que adoraria ter a oportunidade de morar fora por um ou dois anos e adivinha o país que eu escolheria? A França!!!! Tenho algumas noções de francês, mas gostaria de aprender a falar fluentemente o idioma que tanto admiro. Eu tenho paixão por viagens, mas sinto falta de passar por uma experiência real de intercâmbio que me fizesse mergulhar em uma outra cultura por mais tempo para conhecer diferentes hábitos e modos de vida.

Meu primeiro emprego “de verdade” foi em uma ONG que promovia essa experiência entre estudantes chamada AFS (American Field Service) e o trabalho despertou meu interesse em aprender sobre diferentes povos e países. Eu sonhava em um dia conhecer a fundo os lugares incríveis que via em fotos alheias. Minha rotina era acompanhar a experiência dos estudantes e dar o apoio necessário à continuidade do intercâmbio de forma harmônica. Eu tinha contato diário por telefone e e-mail com funcionários do mundo inteiro e, nessa época, fiz amizade com uma americana que dura até hoje. Quantas mensagens trocamos, como rimos, como nos divertimos e também choramos juntas na casa da mãe dela em Prospect Park, no Brooklyn. Ela é uma amiga muito querida que reencontrei depois de 11 anos via Facebook.

As experiências de quem mora ou já morou fora de seu país de origem variam muito. Alguns amam, alguns odeiam e outros se acostumam. Minha irmã do meio vive nos Estados Unidos há quase 12 anos e teve um difícil começo, mas hoje não pensa em voltar ao Brasil. Não tenho dúvidas de que a saudade da família e dos amigos é o fator que mais incomoda e dificulta a adaptação. Sou muito apegada e penso que também teria dificuldades em me afastar deles por um longo tempo. Mesmo reclamando do calor do verão no Rio e dizendo sempre que prefiro o frio, nunca estive em lugares com temperaturas abaixo de zero por mais de três semanas. Enfim, sei que a prática é bem diferente da teoria e, como tudo na vida, toda escolha tem seus prós e contras.

Liviany, gostaria de agradecer sua participação nessa seção e convocar os leitores a participarem do sorteio do seu blog!!!!!

Para conhecer melhor a DOCE SUCRÉ, basta acessar o seguinte link:

http://docesucre.blogspot.com/

Um grande beijo pra todos com votos de um final de semana bem doce!!!!!

Bonfa ass

11 comentários:

Jalile disse... [Responder comentário]

Kátia.. eu também sonho em morar na França por um ou dois anos. Tenho feito muitos planos e nesses planos eu incluo as dificuldades que virão.... quem sabe, quem sabe???

Marina Mott disse... [Responder comentário]

Katia, oi!! Passei longamente pelo blog Doce Sucré e achei muito legal!! Ótimo post, como sempre!! Beijo!

Flávia Mergulhão disse... [Responder comentário]

Já conhecia o blog e as histórias dela! Bom retorno Liviany!
Seus doces são divinos!
Bjos e bom fim de semana a todas!

Heloísa disse... [Responder comentário]

Katia,
Vou lá para conhecer.
Beijo.

Nicinha disse... [Responder comentário]

Minha conterrânea arrasando!!Adorei conhecer a história da Liviany e que bom saber que está de volta a Recife, com certeza quero conhecer seu empreendimento.Também já tive Kátia vontade de morar fora, eu escolheria Buenos Aires pois me identifiquei com ela.
Terminho meu comentário com os dizeres da Liviany do qual curtir muito.
"sigam seus corações… porque a possibilidade de as coisas não sairem bem é muito grande. Satisfação profissional e pessoal são coisas muito importantes pra que possamos nos amar, e amar alguém consequentemente. Sem isso, tudo pode desandar… é preciso cuidado e muito amor!"
Bom Final De Semana para todas.
Bjs Nicinha

Casar é assim... disse... [Responder comentário]

Uma pena que a experiência dela não tenha sido como ela realmente gostaria, mas todos nós sabemos que nada é em vão e todas as experiências são válidas e trazem aprendizados!
Que bom que ela está voltando e está feliz..=)
Sucesso para a Doce Sucré..!!..=)

beijos,
Gábi

tavares disse... [Responder comentário]

Aqueles doces fazem crescer água na boca. Bom fim de semana.

Day - Papel de la Musique disse... [Responder comentário]

Nossa, Bonfa, adorei a história de Liviany! E ela vem pra pertinho, pois de João Pessoa pra Recife dá UMA HORINHA! Ou seja, grande chances de eu conhecê-la pessoalmente e provar dos doces maravilhoso que ela faz! :D

beeeeeeeeijos e bom findi procê! :**

Bichinha na Italia disse... [Responder comentário]

Entendo muito bem a historia da Liviany, pois deixei o Brasil tambem, porèm para vir morar na Italia. Do Rio de Janeiro a uma cidadezinha monotona da Toscana. E usei a minha frustraçao como motor para aprender a cozinhar, e tb montei um blog como fez Liviany (claro que ela è 1 zilhao de vezes mais habilidosa que eu!) hehehe.
Desejo a ela muitas felicidades nessa nossa empreitada.

Marta disse... [Responder comentário]

Deve ser sido realmente um período difícil e de grande adaptação.. assim como vcs, não consigo me ver longe da minha família.. digo, os meus pais, pois o restante vive em Portugal.
O trabalho é lindo e deve ser tb muiito gostoso!
Beijos

Feito a Mão disse... [Responder comentário]

Outro post que eu perdi por causa dos preparativos da festa da Mariana.
Eu conheço a Liviany, já trocamos muitos e-mails e eu admiro muito seu trabalho.
Adorei conhecer um pouco de sua história e principalmente de saber que ela está de volta e tão pertinho de mim! Se eu comemorar meu aniversário em abril, já sei onde vou encomendar macarrons...
Liviany, seja bem-vinda de volta!
Bj
Claudinha

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