quinta-feira, 5 de abril de 2018

Não é brinquedo, não!

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Não é preciso ser noveleiro para conhecer a frase que dá título a este post. Eternizada pela atriz Solange Couto, era fala constante de sua personagem na novela O Clone, Dona Jura. Até hoje, 16 anos depois, ainda há quem a use em situações adversas. Mas, apesar de carregar um certo tom de humor, o nosso assunto aqui é bem sério.

Há alguns dias, em um grupo de festas infantis no Facebook, uma pessoa pedia sugestões de lembranças para o tema fundo do mar. Entre várias ideias bacanas, algumas completamente equivocadas: aquário com peixinho betta de verdade. Não foram apenas duas ou três sugestões; foram várias. Em meio a elas, ainda bem, algumas opiniões contrárias a isso. O fato se repetiu em outra publicação, onde o tema da festa era sereia.

Coluna 32A

Prints com sugestões e ofertas de lembranças com peixe de verdade

Se você acha que a falta de senso se limita aos peixinhos, está enganado. Pintinhos também já foram vítimas da falta de discernimento de responsáveis por festas infantis. Em abril de 2015, houve um caso em Guapé, MG. É claro que houve polêmica e revolta na internet e basta um minutinho no Google para encontrar a história.

Coluna 32B

Matéria no G1

Animais não são brinquedos. Não se dá animais, sejam eles quais forem, sem o consentimento de quem vai receber, ou pelo menos sem saber seu desejo expresso de ter um bichinho. Não importa se é um minúsculo peixinho ou um pastor alemão: todos exigem cuidados e atenção. E, para isso, é preciso que quem vai cuidar desses seres esteja plenamente consciente da responsabilidade.

Um peixinho betta dentro de um aquário é algo complicado de ser transportado para casa. Além disso, essa espécie é conhecida por seu temperamento agressivo contra outros peixes da mesma espécie. Ainda que seja de fácil cuidado, não é todo mundo que quer ou mesmo que sabe ter esse cuidado. E o pobre peixinho pode acabar pagando caro.

Coluna 32C

Peixe betta macho

Coluna 32D

Peixe betta fêmea

Vamos usar a imaginação. Não há limites para ideias bacanas de lembrancinhas para temas que tenham a ver com o mar. Tem muita coisa bacana para nos inspirar (eu disse inspirar, e não copiar!) na internet. Dá para fazer um monte de itens úteis, singelos e diferentes sem precisar sacrificar um pobre bichinho.

Patricia Haddad

https://www.facebook.com/Just.Made.Studio/

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3 comentários:

REGINA CÉLIA VIEIRA DE ALMEIDA DA SILVA disse... [Responder comentário]

Parabéns pelo assunto abordado, gostei muito ! Realmente, vamos ligar nestes exemplos que vimos

. Animais não são brinquedos não, são seres que devemos respeitar e cuidar com muito amor.

Nath Almeida disse... [Responder comentário]

Não concordo! Leva pra casa quem quiser, eu fui numa festa e o brinde era o Beta mas só quem quisesse levar. Eu trouxe e amamos nosso peixinho, conversamos e brincamos com ele o tempo todo e podem não acreditar mas ele interage . Já fui em outra tb q tinha um cercado com vários animaizinhos e tb levava quem quisesse e esse firam comorados no mercadão de Madureira e setia animais para sacrifício e hoje todos tem um lar e uma família. Acredito q tem a dina da festa tenha q ter uma responsabilidade sobre esses animais, sendo assim acho q possa ser algo positivo já q tantos necessitam de um lar e amor.

Patricia Haddad disse... [Responder comentário]

Obrigada pelo comentário, Regina!

* * *

Nath, se ninguém quiser levar, o que a dona da festa faz com todos os animais? Você já parou para pensar que é sacrificante para eles estarem num ambiente de festa, com muito barulho, guardados como "objetos", esperando a hora de serem adotados ou não? Já pensou que a criança muitas vezes não sabe o que implica levar um animal para casa e que os pais vão cortar um dobrado para dizer não ao filho? Já pensou a frustração da criança cujos pais optarem por não levar? Já pensou que o fato de existirem animais para sacrifício no Mercadão não justifica comprá-los para dar de lembrança? Já pensou que é muito mais eficiente combater a venda dos animais para sacrifício?

Quem quer um animal, que adote (ou compre, no caso de peixes, pois desconheço a prática de adoção neste caso). Animal NÃO é brinquedo, não é objeto e não pode ser tratado assim. Levá-los para uma festa para serem distribuídos para quem quiser é tão cruel quanto deixá-los à venda em uma loja.

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